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Descrevendo a ilusão e a realidade

O que é a verdade? A verdade é o fato. E o que descreve o fato é o conhecimento. A irrealidade é o não-fato e descrever o não-fato como fato, ou o irreal como real, é chamado de ilusão.

Ilusão não é apenas ignorância, pois a ignorância pode ser conhecida. Por exemplo: eu sei que não sou capaz de compor uma sinfonia; eu sei que não sou capaz de compreender as notas de um soneto. Apesar de ser ignorante sobre a estrutura de uma música clássica, não sou ignorante quanto ao fato de não saber. Eu sei que não sei. Eu conheço e reconheço minha ignorância. E não me iludo acreditando ser capaz de compor alguma sinfonia.

Então, o que é ilusão? Ilusão é ignorar o que ignoro. Eu não sei e não sei que não sei. Além disso, tal ignorância ignorada determina a maneira como lido com as situações relacionadas. Isso significa que, uma vez conhecendo a realidade, eu agiria diferente. Normalmente, a ilusão me traz sofrimento de inúmeras formas, pois crio expectativas que refletem a irrealidade e, frequentemente, isso me traz desconforto e ansiedade.

A ilusão descrita pelo conhecimento do yoga é relacionada à identidade, pois é a partir da noção de identidade que produzimos desejos, tomamos decisões e atribuímos valor às coisas e às pessoas ao nosso redor.

Quer um exemplo? Confúcio, um filósofo chinês, ilustra a ilusão de um homem e como ela impacta na vida deste: “Um homem saiu à noite com tocha na mão procurando fogo. Se ele soubesse o que era fogo, teria cozinhado seu arroz bem mais cedo”. Pode parecer engraçado, mas essa é a situação na qual está grande parte da civilização. Substitua a palavra “fogo” pela palavra “felicidade” (ou “paz”, “satisfação”, “segurança”…). O homem não sabe o que é fogo e nem sabe que não sabe. Isso é ilusão. E ilusão sempre nos faz dispender energia física e mental nas crenças nela alicerçadas.

Encontrar o conhecimento do fato significa abandonar a ilusão; e, no caso de Vedanta (ou Yoga), significa abandonar a falsa noção de eu, abandonar o impulso por domínio, abandonar a ideia de que algum objeto trará paz ou segurança a mim.

Da mesma forma que a escuridão não permanece na presença da luz, a ilusão é dissipada na presença do conhecimento.

A busca pelo conhecimento pressupõe um forte desejo pelo mesmo, além de uma certa capacidade de abdicar de paradigmas e crenças que, porventura, possam estar em desalinho com a realidade que se procura entender. Afinal, para que buscar a verdade se, quando confrontado com a mesma, não estarei disposto a criar uma coerência entre minha vida e o fato que passa a ser conhecido?

Um buscador não pode envolver e condicionar a verdade à suas crenças, distorcendo-a, ainda que tais crenças sejam herdadas da família, sociedade e religião. Por quê? Porque a verdade independe de maiorias, minorias ou opiniões, e encontrar a verdade significa viver conforme.

Por mais que existam desconfortos oriundos do confronto entre o hábito, o costume e a tradição secular e a realidade, aquele que tem valor pelo real abandonará gradualmente a ignorância e os seus derivados em função de uma percepção de um valor maior.

Nenhuma sociedade, nenhuma cultura, nenhuma religião ou hábito devem custar o conhecimento do real.

 

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