Posts

o-MEDITATION-facebook

Os Benefícios da Prática de Meditação

Uma vez houve um grande mestre que pediu ao aluno para fechar os olhos e lhe descrever o que ouvia. Animado,o aluno respondeu-lhe que ouvia o barulho dos comboios, as crianças a brincar no recreio, os carros na rua, o vento na janela… Foi então que o mestre lhe perguntou: “Então e o gafanhoto que está aos teus pés?”.
Hoje em dia vivemos num ritmo acelerado e frenético que nos enche de estímulos e nos curto-circuita a capacidade de parar, respirar e conectar com a essência. Torna-se mais difícil tomar decisões sobre pressão, torna-se mais difícil controlar a respiração e a ansiedade, crescendo o número de pessoas com ataques de pânico constantes em consulta psicológica. Pais tranquilos são melhores pais. Profissionais seguros e pouco ansiosos são melhores trabalhadores. Chefes empáticos são melhores líderes. E por tudo isto cresce a necessidade de voltar aos métodos ancestrais que nos permitem um tempo de qualidade connosco mesmos. Hoje usada pela psicologia clínica, a meditação é uma dessas práticas ancestrais privilegiadas.
O que é Meditação e os seus benefícios
Originalmente ligada às práticas religiosas orientais, a meditação é hoje objecto de estudo da ciência e recomendada como terapia complementar para muitas condições médicas.
“As grandes religiões orientais já sabem disso há 2.500 anos. Mas só recentemente a medicina ocidental começou a se dedicar a entender o impacto que meditar provoca em todo o organismo. E os resultados são impressionantes”, diz Judson A. Brewer, professor de psiquiatria da Universidade Yale.
Iniciada na Índia e difundida em toda a Ásia, a prática começou a se popularizar no ocidente com o guru Maharishi Mahesh Yogi, que nos anos 1960 convenceu os Beatles a atravessar o planeta para aprender a meditar. Até à década passada, não tinha apoio e validação médica. Nos últimos anos, os investigadores ocidentais começaram a entender por que meditar funciona tão bem, e para tantos problemas de saúde diferentes. “Com a ressonância magnética e a tomografia, percebemos que a meditação muda o funcionamento de algumas áreas do cérebro e isso influencia o equilíbrio do organismo como um todo”, afirma o psicólogo Michael Posner, da Universidade de Oregon.
A meditação não se resume a apenas uma técnica: são várias, diferindo na duração e no método (em silêncio, entoando mantras etc.). Essas variações, no entanto, não influenciam no resultado final, pois o efeito produzido no cérebro é parecido.
Na prática, aumenta a actividade do córtex cingulado anterior (área ligada à atenção e à concentração), do córtex pré-frontal (ligado à coordenação motora) e do hipocampo (que armazena a memória). Também estimula a amígdala, que regula as emoções e, quando accionada, acelera o funcionamento do hipotálamo, responsável pela sensação de relaxamento.
Melhora o sono e acelera em 30 por cento a recuperação da psoríase, baixa a tensão arterial e elimina o stress, apura a atenção, contribui para o equilíbrio emocional, e portanto, para o bem-estar profundo, ou seja, a felicidade. São os efeitos benéficos da meditação e estão certificados por estudos publicados na última década em revistas de topo como a Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) ou a Plos Biology.
Uma equipa de psiquiatria do Hospital Geral de Massachusetts (EUA) realizou o primeiro estudo sobre como a meditação afecta o cérebro. As conclusões, recentemente publicadas no «Psychiatry Research», referem que a prática regular – até oito semanas – pode levar a alterações consideráveis em determinadas regiões cerebrais, relacionadas com a memória, a autoconsciência, a empatia e o stress.

A investigação sugere ainda que a transformação é benéfica para a saúde física e mental. Apesar de ser uma prática relacionada com a tranquilidade e o relaxamento, os médicos já confirmaram que
“proporciona benefícios cognitivos e psicológicos persistentes durante um dia inteiro”, segundo referem os cientistas norte-americanos.
Desta forma, a meditação torna-se uma prática essencial nos tempos modernos, permitindo-nos um momento de paragem e reconexão que nos ajuda a relaxar, a tomar melhores decisões e a trabalhar questões emocionais que poderão estar no centro da nossa falta de qualidade de vida.
Tatiana Santos
Psicóloga Clínica, instrutora de Meditação
http://solschool-alverca.blogspot.pt/2015/10/os-beneficios-da-pratica-de-meditacao.html

486089_181084088706970_1114233123_n

Neurocientista da Harvard: Meditação não apenas reduz estresse, ela muda o seu cérebro

Porque você começou a prestar atenção para a meditação, atenção plena e o cérebro?

Eu e uma amiga estávamos treinando para a maratona de Boston. Tive algumas lesões por esforço e procurei um fisioterapeuta, que me disse para parar de correr e apenas fazer alongamentos. Então comecei a praticar ioga como forma de fisioterapia. Percebi que era muito poderoso, que eu tinha benefícios reais, então fiquei interessada em saber como funcionava.

A professora de ioga usou de vários argumentos, dizendo que a ioga iria aumentar a compaixão e abrir o coração. E eu pensei: “ok,ok,ok, estou aqui para alongar”. Mas comecei a perceber que eu estava mais calma. Estava mais apta a lidar com situações mais difíceis. Estava mais compassiva e com o coração mais aberto, e capaz de ver as coisas pelo ponto de vista dos outros.

Pensei, talvez fosse apenas uma resposta placebo. Mas então fiz uma pesquisa bibliográfica da ciência, e vi evidências de que a meditação havia sido associada à diminuição do estresse, da depressão, ansiedade, dor e insônia, e ao aumento da qualidade de vida.

A essa altura, estava fazendo meu PhD em biologia molecular. Então simplesmente resolvi mudar e comecei a fazer essa pesquisa como um pós- doutorado.

Como você fez essa pesquisa?

O Primeiro estudo avaliou meditadores de longa data versus um grupo controle. Descobrimos que os meditadores de longa data tem a massa cinzenta aumentada na região da ínsula e regiões sensoriais do córtex auditivo e o sensorial. O que faz sentido. Quando você tem atenção plena, você está prestando atenção à sua respiração, aos sons, a experiência do momento presente, e fechando as portas da cognição. É lógico que seus sentidos sejam ampliados.

Também descobrimos que eles tem mais massa cinzenta no córtex frontal, o que é associado à memória de trabalho e a tomada de decisões administrativas.

Já está provado que nosso córtex encolhe à medida que envelhecemos – se torna mais difícil entender as coisas e se lembrar das coisas. Mas nessa região do córtex pré-frontal, meditadores com 50 anos de idade tinham a mesma quantidade de massa cinzenta que pessoas de 25 anos.

Então a primeira pergunta foi, bem, talvez as pessoas com mais massa cinzenta no estudo já tivessem mais massa cinzenta antes de terem começado a meditar. Então fizemos um segundo estudo.

Pegamos pessoas que nunca tinham meditado antes, e colocamos um grupo deles em um programa de oito semanas de atenção plena com foco na redução de estresse.

O que você descobriu?

Descobrimos diferenças no volume do cérebro depois de oito semanas em cinco regiões diferentes dos cérebros dos dois grupos. No grupo que aprendeu meditação, encontramos um aumento do volume em quatro regiões:

  1. A diferença principal encontramos no giro cingulado posterior, o qual está relacionado às lembranças e auto- regulação.
  2. O hipocampo da esquerda, o qual dá suporte ao aprendizado, cognição, memória e regulação emocional.
  3. A junção temporoparietal, ou JTP, à qual está associada a tomada de decisões, empatia e compaixão.
  4. Uma área do tronco do cérebro chamada de Ponte, onde muitos neurotransmissores reguladores são produzidos.

A amigdala, a parte do cérebro responsável pelo instinto de ataque ou fuga, e que é importante nos aspectos da ansiedade, medo e estresse em geral. Essa área ficou menor no grupo que participou do programa de oito semanas de atenção plena com foco na redução de estresse.

A alteração na amigdala também foi associada a uma redução nos níveis de estresse.

Então por quanto tempo alguém precisa meditar até que comece a ver mudanças no seu cérebro?

Nossos dados mostram mudanças no cérebro após apenas oito semanas. Em um programa de atenção plena com foco na redução de estresse, nossos pesquisados participaram de uma aula por semana. Eles receberam uma gravação e foram solicitados a praticar por 40 minutos por dia em casa. E foi assim.

Então, 40 minutos por dia?

Bem, foi altamente variável no estudo. Algumas pessoas praticaram 40 minutos todos os dias. Algumas praticaram menos. Algumas apenas umas duas vezes na semana.

No meu estudo, a média foi de 27 minutos por dia. Ou em torno de meia hora por dia.

Ainda não existem dados suficientes sobre quanto alguém precise praticar para se beneficiar.

Professores de meditação lhe dirão, apesar de não existir absolutamente nenhuma base científica para isso, que comentários de estudantes sugerem que 10 minutos por dia podem trazer benefícios subjetivos. Ainda precisamos testar.

Nós estamos apenas começando um estudo que, com grande esperança, nos permitirá acessar quais são os significados funcionais dessas mudanças. Estudos de outros cientistas mostraram que a meditação pode melhorar a atenção e a habilidade de regular a emoção. Mas a maioria dos estudos não foi com neuroimagens. Então agora estamos esperançosos em trazer o aspecto comportamental e a ciência da neuroimagem para trabalharem juntos.

A partir do que já sabemos da ciência, o que você encorajaria os leitores a fazer?

Atenção plena é similar a um exercício. É uma forma de exercício mental, na realidade. E assim como o exercício melhora a saúde, nos ajuda a administrar melhor o estresse  e promove longevidade, a meditação se propõe a partilhar alguns desses mesmos benefícios.

Mas, assim como o exercício, não pode curar tudo. Então, a ideia é de ser útil como uma terapia de apoio. Não é uma coisa em separado. Já foi usado com muitos outros distúrbios e os resultados variam tremendamente – impactam alguns sintomas, mas não todos.  Os resultados são às vezes modestos. E não funciona para todos.

Ainda está muito cedo para se tentar concluir o que a meditação pode ou não fazer.

Então, sabendo-se das limitações, o que você sugeriria?

Lazar: Parece sim ser benéfico para a maioria das pessoas. A coisa mais importante, se você for tentar fazer, é encontrar um bom professor. Porque é simples, mas também é complexo. Você precisa entender o que está acontecendo na sua mente. Um bom professor não tem preço.

Você medita? E você tem um professor?

Sim e sim.

Que diferença fez em sua vida?

Tenho feito isso por 20 anos, então tem uma influência profunda em minha vida. Dá muito “chão” (ancoragem). Reduz o estresse.  Me ajuda a pensar mais claramente. É maravilhoso para interações interpessoais. Tenho mais empatia e compaixão pelas pessoas.

Qual a sua prática pessoal?

Altamente variável. Alguns dias pratico 40 minutos. Alguns dias cinco minutos.  Alguns dias não pratico nada. É muito parecido com exercício. Exercitar-se  três vezes por semana é maravilhoso. Mas se tudo o que você pode fazer é se exercitar um pouquinho todos os dias, isso também é uma coisa boa. Tenho certeza de que se praticasse mais me beneficiaria mais. Não tenho ideia se estou tendo mudanças no meu cérebro ou não.  E é isso que funciona para mim nesse momento.

 

Meditation_Lazar605

 

 da Mandala Escola 

Texto original: Brigid Schulte

Tradução: Joann Schaly

 

ryrtyrtyryrytr

Novo estudo sugere que meditação é realmente capaz de alterar as células do corpo

Publicado no jornal Cancer, o estudo liderado por Linda Carlson descobriu que ameditação foi capaz de alterar fisicamente as células de sobreviventes de câncer de mama. O projeto realizado no Tom Baker Cancer Center, no Canadá, notou que técnicas de redução de estresse e ioga deram sequência ao tratamento “tradicional” da doença.

Na pesquisa, os 88 participantes convidados tinham em média 55 anos. Eles eram sobreviventes de câncer de mama – com até dois de pós-tratamento – e continuavam sentindo problemas emocionais. Analisados por 12 semanas, essas pessoas foram divididas em grupos.

O primeiro teve que passar por encontros semanais de 90 minutos com professores de Hatha ioga. Além disso, os participantes também tinham que praticar durante 45 minutos diários em casa. Já a segunda equipe passou por discussões semanais sobre os seus sentimentos; recebendo inclusive um workshop sobre técnicas de redução de estresse. Enquanto isso, um terceiro grupo serviu de “controle”.

Depois que analisaram as amostras de sangues dos dois grupos, o estudo achou diferenças bem interessantes. “Nós já sabíamos que intervenções psicológicas como meditação eram capazes de ajudar as pessoas mentalmente. Mas, pela primeira vez, nós temos evidência de que esses fatores podem influenciar no aspecto biológico”, conta Carlson.

Com o fim do estudo, os pesquisadores notaram que os grupos que passaram pelos encontros tiveram seus telômeros preservados. O que isso significa? Os médicos explicaram que os telômeros são protetores das proteínas existentes nas células. Com o tempo, elas podem se desgastar e com isso trazer consequências ruins para a saúde das pessoas.

“Foi surpreendente saber que os telômeros dos participantes não foram modificados como os do nosso grupo de controle. Para quantificar todos os benefícios, ainda há muita pesquisa para ser feita. Mas essa não deixa de ser uma descoberta animadora que carrega notícias encorajadoras”, completa Carlson.

ryrtyrtyryrytr