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O cérebro reptiliano

Uma das estruturas mais interessantes originadas pelo processo de seleção natural é o cérebro humano. Ao mesmo tempo capaz de realizações que transcendem a biologia, como a criação da cultura, ele é enigmático porque possui uma dimensão primitiva, irracional, que influencia em grande medida nosso comportamento. Mas por que há esse primitivismo?

De acordo com a teoria da evolução, as estruturas que concedem vantagens evolutivas para uma espécie tendem a se reproduzir. Lentamente uma espécie vai passando por modificações, até que, após milhares de anos, pode haver o surgimento de uma nova espécie. Contudo, as espécies que descendem acabam herdando as estruturas dos antepassados, pois elas passaram pelo “teste” da seleção natural. Uma característica ou órgão desaparecem se diminuem as chances de sobrevivência; se não desaparecerem, a espécie é que pode acabar sendo extinta.

Num ambiente, várias podem ser as soluções estratégicas para a sobrevivência das espécies, e cada uma destas estratégias leva em conta a herança e as modificações provocadas pelo ambiente. Por exemplo, se num determinado ecossistema houver o aumento do número de predadores, haverá uma modificação no número de presas; quando estas escassearem, os predadores que tiverem mais facilidade para se adaptar ao novo contexto de presas escassas terão mais chances de sobrevivência, e as espécies menos flexíveis terão suas populações diminuídas.

Com o aumento da complexidade da natureza, o processo de seleção natural acaba constituindo caminhos interessantes como alternativas de sobrevivência. A cooperação parece ser uma destas vias. As espécies que cooperam utilizam formas coletivas de proteção e aviso, e isto faz com que a coletividade passe a se assumir como um tipo de “superorganismo”, capaz de realizar funções que individualmente não seriam possíveis. Um exemplo deste tipo de organização são as abelhas; outro exemplo, os seres humanos.

No caso da nossa espécie, contudo, a composição é bastante interessante: ao mesmo tempo que somos capazes de cooperar, temos uma “herança” reptiliana de comportamentos predatórios. Por óbvio que este comportamento teve vantagens evolutivas, pois de outra forma não poderiam estar presentes em nossa espécie, e é essa combinação faz com que nosso comportamento tenha tantas variações. Ao mesmo tempo que somos capazes de construir comunidades, como espécie somos incapazes de deixar de lado comportamentos altamente destrutivos como o preconceito e as guerras. Se a evolução manteve um repertório de comportamentos predatórios, também favoreceu o surgimento de outras estruturas que permitiram o aparecimento do pensamento, da racionalidade e da linguagem. O mosaico está formado.

A irracionalidade de nossos comportamentos remonta às estruturas mais primitivas de funcionamento cerebral, enquanto que o pensamento e a linguagem remontam às estruturas mais recentes: isso explica por que os bebês choram antes de aprender a falar. Durante o processo de desenvolvimento do organismo, gradativamente o lado primitivo de nosso comportamento passa ao controle, ao menos parcial, dos aspectos racionais, e esse movimento permite a conquista da socialização, da mesma forma que estruturas sociais são condicionadas por elementos irracionais. Mas nunca abandonamos a forma de agir “reptiliana”, e isso aparece quando o tom emocional de alguma situação exige mais do nosso aparato racional do que ele pode dar. Nesta hora, o réptil que há em nós desperta.

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Teoria do Risco

O prêmio Nobel de Economia de 2002, Daniel Kahneman, fez importante contribuição para entender como os humanos assumem os riscos. Ele descobriu que os humanos assumem riscos, mas detestam perdas.
E esta é uma confirmação de tudo que se vem falando desde 2500 anos neste planeta. Quando se fala para soltar, os humanos sentem uma aversão total ao conceito. E o trabalho dele provou isso. Esta é uma atitude irracional porque toda vez que se prende se perde. Todo apego gera perdas e sofrimentos desnecessários. Este universo foi feito para que ninguém perca. Todos podem ganhar se todos tiverem esse tipo de paradigma. Ganha Ganha.
Só que isso é tão contra o cérebro reptiliano (Complexo-R), que o ego imediatamente recusa sequer entender o que é soltar. Uma pessoa culta e inteligente comprou um livro sobre taoísmo. Teve de ler 8 vezes para poder entender o conceito. E ainda precisou de muita orientação para soltar os investimentos errados que tinha feito. A pessoa tinha feito investimentos que não conseguia mais pagar e ainda assim se recusava a solta-los. E continuar vivendo, pois caso contrário teria um infarto com certeza. E perderia tudo. Mas, não soltava. Achava que se soltasse perderia algo. Depois que soltou tudo melhorou e hoje está em excelente situação.
O medo da perda é um problema de confiança. Confiar que o universo funciona e que o Todo administra tudo para o melhor de todos sempre. Hoje em dia existe uma corrente de pensamento argumentando que este universo não funcionou. Que tem algo errado com o universo. Isso é acreditar que o Todo não sabe o que faz, não é onipotente, onisciente e onipresente. Traduzindo, achar que o Todo não é o Todo. Quando o Todo delega uma função Ele sabe exatamente o que está fazendo, pois foi Ele que emanou aquele Arquétipo. O Arquétipo é a perfeição do Todo naquele assunto, atividade ou habilidade em particular. Por exemplo, o Todo quer escalar montanhas. Ele emana um Arquétipo que é o alpinista perfeito. Este Alpinista Perfeito é o Todo escalando montanhas. Não comete erros, faz sempre o melhor, evolui sempre, tem alegria escalando, etc. É perfeito.
Toda a problemática se resume nisso. Em confiar no Todo. Mas, para isso primeiro é preciso entender o que é o Todo, quem é o Todo. E depois sentir o Todo dentro de si. Na Centelha Divina. Sem sentir todo conhecimento é nada. O Todo é um sentimento. Como se pode entender algo intelectualmente se a essência daquilo é um sentimento? Pode-se criar conceitos e conceitos intelectuais, mas eles não serão a verdade. Para entender o Todo é preciso sentir. E este é o problema central da humanidade desde sempre. Se sentir acha que haverá perda. Então resolve não sentir. Fecha os chakras, bloqueia tudo, levanta escudos e acha que assim evitará o sofrimento. Que assim não haverá perdas. Pois é. É justamente nesse ponto que as perdas aparecerão. Toda vez que se bloqueia a ação do Todo os problemas aparecem. Inevitável. Em todas as áreas. Será que o Todo quer que algum humano passe fome? As notícias mostram que existem frangos e porcos demais no mundo! É preciso mata-los para equilibrar o mercado. Enquanto isso quantos milhões passam fome! Evidentemente quem nunca passou fome não tem a menor ideia do que é isso. Portanto, não sente a dor de quem passa fome.
Então se pensa que tem algo errado com este universo! Pois tem gente passando fome, tem guerras no mundo, genocídios, mutilações, predadores, serial killers, exploração de trabalho infantil, exploração da prostituição, etc. (A lista é infinita). Se o planeta Terra é assim é porque o universo está errado? O planeta Terra é assim porque seus habitantes escolheram que seja assim. É um colapso de função de onda coletivo. Caso quisessem mudar mudaria num dia. Ou a União Soviética não acabou em dias? O que parecia impossível aconteceu em dias. Quando as pessoas deixaram suas casas, seus pertences, entraram nos trens e carros e foram para a fronteira do oeste. O muro desabou num dia. Quando as pessoas soltaram tudo. Enquanto foram apegados persistiu por quase um século. (Atenção: não estou julgando. É um fato histórico). E no oeste o problema é o mesmo. Haverá sofrimento, fome, crises, miséria, crimes, desemprego, etc. enquanto houver apego.
E o apego é tão grande que sequer essa ideia pode ser pensada. Buda e Lao Tsé tinham de fazer o que fizeram. Eles vêm fazer um trabalho e fazem. Não importa o custo que seja. Mas, o resultado levará milhares de anos. A humanidade decidirá quantos milhares de anos levará.
Como não se quer entender a Realidade Última e se acha que tem algo errado com o universo, a ideia é uma solução miraculosa que resolva tudo sem que tenha de haver evolução da consciência dos humanos. E a incoerência deste pensamento não é percebida. Se os humanos detestam perdas como eles aceitarão que uma civilização extraterrestre venha aqui e estabeleça o equilíbrio no planeta? John Nash provou o Equilíbrio de Nash e aconteceu o que? Nada. Porque o Equilíbrio de Nash dá uma ideia de perda. As pessoas pensam que perderão. E os humanos detestam perder. Vejam o filme “Uma mente brilhante”. Basta ver a cena do bar. Se não entende o que ele explica, se não aceita o que ele explica, como aceitará que os extraterrestres imponham uma civilização avançada onde ninguém passa fome, por exemplo. Basta pensar nessa questão: como o mundo tem de ser organizado para que ninguém passe fome? É essa organização que os extraterrestres teriam de impor. Ou seria por consenso? Imagine os extraterrestres tendo que fundar um partido político para defender suas ideias! Com milhões de anos de avanço em relação aos terrestres! De que adiantaria toda a tecnologia extraterrestre se nada poderia ser feito sem a aprovação dos humanos. Ficaríamos na mesma. Pois, hoje já existe tecnologia para que ninguém passe fome no mundo. E que acontece? Nada. Portanto, tem de ser como é em Jornada nas Estrelas A Nova Geração. A Primeira Diretriz proíbe que se intervenha num planeta até que estejam evoluídos o suficiente para aceitar a Federação.
Por exemplo, se a Federação trouxesse os replicadores de comida o que aconteceria com todas as empresas de alimentação? Com todas as fazendas? Com todos os empregos? Com a bolsa de valores? As pessoas admitiriam perder seus empregos por causa dos extraterrestres resolverem a fome no mundo? Então porque os humanos não doam os frangos e porcos para os que passam fome? A resposta normal é porque daí ninguém vai querer trabalhar. Vamos supor que os extraterrestres resolvessem tudo, o que as pessoas fariam com o tempo livre? Imagine todo o tempo do mundo só para pensar? Você com você mesmo? Autoconhecimento sem parar. Não há necessidade de trabalhar. Só lazer. O que os humanos fariam com o laser? Antes da revolução industrial se falava que quando houvessem máquinas os humanos poderiam ter tempo para a cultura, as artes, os esportes, a leitura, etc. Depois de 400 anos de revolução industrial quando já se tem máquinas para quase tudo, computadores, robôs, etc., o que aconteceu? Mais máquinas e computadores resolverão isso? Ou somente com a evolução da consciência haverá evolução realmente.
E em todas as outras áreas é a mesma coisa. Por isso, os extraterrestres positivos só observam. No dia em que os humanos decidirem pelo Equilíbrio de Nash eles poderão aparecer.

Hélio Couto
www.heliocouto.blogspot.com