Posts

alan-watts

25 Frases de Alan Watts que expandirão sua consciência

Alan Watts era um filósofo britânico que falava sobre filosofias asiáticas para um público ocidental. Ele escreveu mais de 25 livros e foi um excelente orador em temas como o significado da vida, consciência superior, a verdadeira natureza da realidade e a busca da felicidade.

Abaixo, separei 25 frases potentes em vários tópicos. No final, eu também incluí um dos meus vídeos favoritos do YouTube de Alan Watts, discutindo “o verdadeiro você”. Enjoy!

SOBRE O SOFRIMENTO

1- O homem sofre apenas porque ele leva a sério o que os deuses fizeram para se divertir.

2- Seu corpo não elimina os venenos ao conhecer seus nomes. Tentar controlar o medo, a depressão ou o tédio chamando-os de nomes é recorrer a superstição de confiança em maldições e invocações. É tão fácil ver por que isso não funciona. Obviamente, nós tentamos conhecer, nomear e definir o medo para torná-lo “objetivo”, isto é, separado do “eu”.

SOBRE A MENTE

3- A água cheia de lama é melhor limpa deixando-a sozinha.

SOBRE O MOMENTO PRESENTE

4- Este é o verdadeiro segredo da vida – estar completamente comprometido com o que você está fazendo aqui e agora. E, ao invés de chamá-lo de trabalho, perceba que é uma diversão.

5- A arte de viver… não é descuidada à deriva, por um lado, nem medo de se apegar ao passado, por outro. Ela consiste em ser sensível a cada momento, ao considerá-lo totalmente novo e único, em ter a mente aberta e totalmente receptiva ao que está acontecendo.

6- Nenhum plano válido para o futuro pode ser feito por aqueles que não têm capacidade para viver o agora.

7- Nós vivemos em uma cultura totalmente hipnotizada pela ilusão de tempo, na qual o chamado presente é sentido como uma pequena linha entre o ‘todo poderoso’ passado causativo e o ‘absurdamente importante futuro’. Não temos presente. Nossa consciência está quase completamente preocupada com memórias e expectativas. Nós não percebemos que nunca houve, há, ou haverá qualquer tipo de experiência além da experiência do momento.

Portanto, nós estamos fora de contato com a realidade. Nós confundimos o mundo como ele é falado, descrito, e mensurado com o mundo do modo que ele na verdade é. Nós estamos doentes com uma fascinação pelo uso das ferramentas de nomes, números, símbolos, sinais, conceitos e ideias.

8- Percebi que o passado e o futuro são ilusões reais, que existem no presente, e o presente é o que existe e absolutamente tudo o que existe.

9- (…) amanhã e os planos para o amanhã não podem ter significado algum, a menos que você esteja em pleno contato com a realidade do presente, já que a vida acontece no presente e é somente no presente que você vive.

SOBRE O PROPÓSITO DA VIDA

10- O propósito da vida é estar vivo. É tão simples, tão óbvio e tão simples. E, no entanto, todos correm em um grande pânico como se fosse necessário alcançar algo além de si mesmos.

SOBRE A FÉ

11- Ter fé é confiar em você mesmo como se estivesse na água. Quando você nada, não é necessário tentar segurar a água, porque se você fizer isso vai afundar e se afogar. Em vez disso, você relaxa e flutua.

PALAVRAS DE SABEDORIA PARA ASPIRANTES A ARTISTAS

12- Conselhos? Eu não tenho conselhos. Pare de aspirar e comece a escrever. Se você está escrevendo, você é um escritor. Escreva como se fosse um maldito condenado à morte e o governador está fora do país e não há chance de perdão. Escreva como se estivesse preso ao limite de um penhasco, juntas brancas, no seu último suspiro, e você tem apenas uma última coisa a dizer, como se você fosse um pássaro que voe sobre nós e você pode ver tudo e, por favor, pelo amor de Deus, conte-nos algo que nos salvará de nós mesmos. Respire fundo e conte-nos seu segredo mais profundo e mais sombrio, para que possamos limpar nossa sobrancelha e saber que não estamos sozinhos. Escreva como se você tivesse uma mensagem do rei. Ou não. Quem sabe, talvez você seja um dos sortudos que não precisa.

 

SOBRE MUDANÇA

13- Quanto mais uma coisa tende a ser permanente, mais ela tende a ser sem vida.

14- A única maneira de dar sentido às mudanças é mergulhar nela, mover-se com ela e juntar-se à dança.

15- Você e eu somos todos tão contínuos com o universo físico como uma onda é contínua com o oceano.

16- Ninguém é mais perigosamente insano do que aquele que é são o tempo todo: ele é como uma ponte de aço sem flexibilidade, e a ordem de sua vida é rígida e quebradiça.

17- Sem o nascimento e a morte, e sem a transmutação perpétua de todas as formas de vida, o mundo seria estático, sem ritmo, sem medida, mumificado.

SOBRE O AMOR

18- Nunca pretenda um amor que você realmente não sente, pois o amor não é nosso para comandar.

SOBRE VOCÊ

19- O que realmente digo é que você não precisa fazer nada, porque se você se ver da maneira correta, você é todo o fenômeno extraordinário da natureza, como as árvores, as nuvens, os padrões na água corrente, a cintilação do fogo, o arranjo das estrelas e a forma de uma galáxia. Você é todo assim, e não há nada de errado com você.

20- Tentar se definir é como tentar morder os próprios dentes.

21- Mas eu direi o que Hermits percebe. Se você entrar em uma floresta muito distante e ficar muito quieto, você entenderá que está conectado com tudo.

SOBRE TECNOLOGIA

22- A tecnologia é destrutiva apenas nas mãos de pessoas que não percebem que são um e o mesmo processo que o universo.

SOBRE O UNIVERSO

23- Nós não “entramos” neste mundo; Nós saímos disso, como parte de uma árvore.

24- Somente palavras e convenções podem nos isolar da coisa inteiramente indefinível que é tudo.

SOBRE PROBLEMAS

25- Os problemas que permanecem persistentemente insolúveis sempre devem ser suspeitos conforme as perguntas feitas no caminho errado.

 

https://youtu.be/WbIc1UdH8rs

 

http://blog.nomind.club/25-frases-de-alan-watts-que-expandirao-sua-consciencia/

xghcxfghfghfg

“Quem disse? Cadê as evidências?”

confronto de paradigmas num discurso de Alan Watts

“Por quê devemos parar de pensar? Por quê é errado não gostar de ficar sozinho? Por quê ter uma mente cheia de pensamentos é como uma droga? Será que realmente tem algum vício ou efeito maligno envolvido? Quem disse? Cadê as evidências????”
— ltrafael, em comentário ao vídeo “A Mente”, com Alan Watts

Essas indagações publicadas num comentário ao vídeo “A Mente” (mais abaixo), um discurso do filósofo inglês Alan Watts (1915-1973) sobre as preocupações e o pensamento compulsivo, chamam a atenção de uma maneira bem simples e interessante para o choque de paradigmas    na busca de respostas sobre a vida. alanwatts-amenteApesar do discurso de Watts ser bem claro e auto-  explicativo, está se referindo a um processo interior e subjetivo de investigar a  realidade, enquanto a pessoa que fez o comentário espera evidências ou provas  “científicas e sérias” externas a ele mesmo (“Quem disse? Cadê as evidências??”),  provenientes de alguma autoridade na pesquisa objetiva da realidade. Watts talvez  tenha evidências científicas e sérias, mas no seu paradigma, que precisa da percepção  interior e das próprias experiências pessoais para serem verificadas como, de fato,  evidências. Mas sem uma ponte entre esses dois paradigmas, o espectador não percebe  isso, e o diálogo não acontece.

Muitos grandes autores já trataram desse encontro (ou desencontro) de paradigmas, que muito genericamente poderíamos incluir nas diferenças entre “Ocidente” e “Oriente”, aqui talvez mais especificamente entre o método científico “ocidental” e as ciências contemplativas “orientais”, mas neste caso está expresso e atualizado num debate cotidiano simples de um vídeo do YouTube. Para alguns esse problema está superado, e os paradigmas convivem entre si, mas para muitos ainda há um vão. Sem uma ponte, o que há do outro lado do paradigma permanece inacessível.

Assista ao vídeo de Alan Watts, de 3min, legendado, abaixo (com agradecimentos ao canal Charles Darwin, e ao site AlanWatts.org, que cedeu o áudio original ao vídeo em inglês):

 

 

De uma certa forma, quem já conseguiu algum tipo de esclarecimento a partir das fontes contemplativas orientais (como Ioga ou Budismo, por exemplo), já fez algum tipo de conexão entre esses paradigmas, e talvez não tenha sido fácil. Imagino que se meus primeiros questionamentos existenciais fossem respondidos com a recomendação de parar de pensar, quando eu não fazia a menor idéia de como a ciência oriental tratava esse assunto, eu ficaria igualmente inconformado. Não conseguiria ver a conexão entre as duas coisas, e questionaria. Talvez eu pensasse: o que tem a ver parar de pensar com buscar provas sobre a existência?. Seria como se eu tivesse um plug de três pinos tentando encaixar numa tomada de dois furos.

SOBRE PENSAR DEMAIS

Se formos perceber bem, nesse discurso Alan Watts não diz para pararmos de pensar, ele fala que pensamos demais e que estamos presos nesse ininterrupto movimento compulsivo mental, mas não é raro entendermos que isso significa uma recomendação para pararmos de pensar. Se a mente pudesse relaxar mais profundamente, aquietar-se naturalmente, e se pudéssemos fazer algum tipo de prática onde pudéssemos ganhar perspectiva sobre ela, sobre o próprio pensar, então uma outra resposta poderia vir, uma que poderia fazer ver que pensar demais é de fato uma compulsão, que escraviza o homem e ofusca profundamente sua visão da realidade. Que distorce o que ele entende por realidade, e que isso obviamente se parece bastante com uma droga. O efeito maligno envolvido é justamente o próprio bloqueio a uma outra compreensão da realidade, mas que só se torna evidente (ou seja, que só se torna uma evidência) para aquele cuja mente foi dada a chance de relaxar e ser vista em seu movimento obsessivo. Se isso não acontecer, pensar compulsivamente vai ser a única realidade que existe. E não vamos entender que problema há nisso.

“Uma pessoa que pensa todo o tempo não tem nada a pensar exceto pensamentos. Por isso perde contato com a realidade, e vive num mundo de ilusão”.
— Alan Watts, em “Alan Watts Teaches Meditation” (1992)

SOBRE NÃO GOSTAR DE FICAR SOZINHO

Watts também não falou em “não gostar de ficar sozinho“, ele falou em  “fugir de si mesmo“, que traz uma ênfase muito maior num tipo de medo íntimo que deveria ser no mínimo intrigante ao questionador sério. A pergunta poderia ser substituída por “Porque tenho essa reação de fugir da minha própria presença? O que pode haver de tão ruim no meu simples silêncio natural de ser? Será que faz sentido virmos a existir para termos tal desconforto de ficar conosco mesmos, ao ponto de querermos fugir dessa situação? Será que isso não mostra que talvez exista algo de errado justamente nisso?

Enfim, os questionamentos fazem sentido, dentro de um paradigma. As respostas de Alan Watts idem. Talvez não tenham sido suficientes para o questionador, talvez demonstrem a limitação dos paradigmas, talvez precisemos de mais pontes entre paradigmas, ou adaptadores de pinos iguais entre perguntas a respostas.