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Papaji (H. W. L. Poonja)

Hariwansh Lal Poonja nasceu em 1913, perto de Lyalpur, uma cidade que ficava na Índia, mas que, em 1947 passou a fazer parte do Paquistão. Em 1919 a família Poonja fez uma viagem para Lahore, e foi lá que Hariwansh teve sua primeira grande experiência de despertar espiritual (ainda na infância). Espontaneamente Hariwansh teve uma experiência direta do Eu Real, tornando-se paralisado. Permaneceu incapaz de mover-se ou falar, ficando absorto neste estado por três dias. Hariwansh descreveu essa experiência como uma experiência de pura felicidade e beleza. Uma vez que teve esse contato com a felicidade do Eu Real ele passou muito de seus anos seguintes tentando experimentar esse estado novamente, sendo ocasionalmente puxado de volta para o mesmo, espontaneamente.
Sua mãe, que era uma ardente devota de Krishna, convenceu-lhe que a devoção a Krishna lhe devolveria o estado de felicidade. Seguindo seu conselho,Hariwansh começou a concentrar-se em krishna com tanta intensidade que a forma física deste passou a aparecer na sua frente, de maneira tão sólida que ele poderia tocá-la. Embora mais ninguém na família pudesse ver krishna, todos eles viam Hariwansh brincar com o seu amigo “invisível”. Hariwansh tornou-se tão apegado à forma de Krishna, que por muitos anos o seu principal desejo espiritual era que Krishna aparecesse a fim de que ele pudesse usufruir da beatitude de estar na presença da divindade.
Hariwansh era o filho mais velho da família. Quando ele tinha 16 anos, passou pelo tradicional casamento arranjado e começou a trabalhar como comerciante, pois seu pai não tinha dinheiro para lhe mandar para o ensino médio. Seu trabalho o levou a Bombaim, quando ele passou boa parte dos anos de 1930, ganhando dinheiro suficiente para sustentar sua esposa e filhos, e também outros membros de sua família, que viviam em Lyalpur.
No início da década de 1940, Hariwansh inscreveu-se para ser um oficial no exército britânico. Ele acreditava que os combatentes pela liberdade indiana, dos anos 20 e 30 haviam falhado porque não tinham o treinamento militar adequado. Assim, apresentando-se para lutar pelos ingleses na Segunda Guerra, ele pretendia obter um treinamento militar adequado a fim de posteriormente lutar contra a ocupação britânica em seu país. Durante todos os seus anos como membro do exército e como homem casado, trabalhando em Bombaim, hariwansh nunca abandonou seu amor por Krishna ou o desejo de ter visões dele. Com o tempo, percebendo que o serviço militar era incompatível com seu estilo de vida, ele abandonou a comissão de que participava a fim de encontrar um Guru que lhe ajudasse a ver krishna o tempo todo.
Sua busca o levou por toda a Índia, inclusive o fez visitar alguns dos mais famosos mestres da época, mas nenhum deles conseguiu responder-lhe satisfatoriamente a sua pergunta padrão: “Você já viu Deus? Senão, conhece alguém que o tenha visto?“. Depois de muitos fracassos, um tempo após retornar para casa, um sadhu [monge mendicante] apareceu em sua porta de casa em Lyalpur, mendigando. Hariwansh o fez a mesma pergunta de sempre. O sadhu respondeu “Sim, eu conheço uma pessoa que pode lhe mostrar Deus. Se você o visitar, tudo estará bem para você. Seu nome é Ramana Maharshi“.Hariwansh informou-se com o sadhu e descobriu que Ramana Maharshi vivia em Tiruvannamalai, no sul da Índia. Como ele já havia gasto todo o seu dinheiro nas suas viagens anteriores à busca de um Guru, ele financiou sua presente jornada conseguindo um emprego em uma empresa que ficava em Madras, uma cidade a poucas horas de distância de Tiruvannamalai.
Quando ele chegou no ashram de Ramana Maharshi, em 1944, ele descobriu, para a sua frustração, que Ramana Maharshi era a mesma pessoa que apareceu para ele, como um sadhu, em Lyalpur. Sentindo-se enganado, ele estava prestes a deixar o ashram, quando foi informado, por um devoto que lá residia, que Ramana Maharshi jamais havia deixado Tiruvannamalai nos últimos 50 anos. Intrigado, ele decidiu ficar.
A primeira vez que ele falou com Ramana Maharshi, ele perguntou: “Você é o homem que apareceu para mim na minha casa em Punjab?“, mas Sri Ramana permaneceu em silêncio. Então ele perguntou: “Você já viu Deus? Caso positivo, pode mostrá-Lo para mim?“. Maharshi respondeu: “Eu não posso lhe mostrar Deus porque Deus não é um objeto a ser visto. Deus é o sujeito. Ele é aquele que vê. Não se preocupe com aquilo que é visto. Descubra quem é aquele que vê“. E acrescentou: “Apenas você é Deus“.
Muito embora Hariwansh não estivesse disposto a seguir tal conselho, ele permaneceu no ashram por tempo suficiente para ter uma experiência transformadora na presença de Sri Ramana. Assim ele a descreve:
Suas palavras não me impressionaram. Elas me pareceram mais uma desculpa na longa lista daquelas que eu já havia ouvidos de diversos swamis em todo o país. Ele me prometeu mostrar-me Deus [quando apareceu em minha casa em Punjab], mas agora ele diz que não apenas não pode me mostrar Deus, como ninguém pode. Eu o teria abandonado imediatamente sem pensar duas vezes, se não fosse pela experiência que eu tive imediatamente após ele me dizer para descobrir quem era o “eu” que queria ver Deus. Ao concluir as suas palavras, ele olhou para mim, e na medida em que ele olhou profundamente em meus olhos, todo o meu corpo começou a tremer. Uma vibração de energia nervosa atravessou meu corpo. Sentia como se minhas terminações nervosas estivesse dançando, e meus pelos se arrepiaram. Tornei-me consciente do Coração espiritual dentro de mim. Este não é o coração físico. É, isto sim, a fonte e apoio de tudo o que existe. Dentro do coração eu senti ou vi algo como um botão de flor fechado. Ele era brilhante e azulado. Com o Maharshi me olhando e eu em um estado de silêncio interior, senti esse botão abrir-se e florescer. Eu uso a palavra “botão”, mas essa não é uma descrição exata. Seria mais correto dizer que algo que parecia um botão abriu e floresceu em meu Coração.
Apesar de tal experiência, Hariwansh decidiu que os ensinamentos de Sri Ramana não eram para ele. Então foi para o outro lado de Arunachala e continuou suas meditações em krishna. Krishna apareceu para ele inúmeras vezes.
Antes de retornar para Madras, decidiu parar no Sri Ramanasramam e ver o Bhagavan mais uma vez. Hariwansh disse novamente que tinha visões constantes de krishna. Sri Ramana perguntou: “Você o vê neste momento?“.
Não, respondeu o devoto. “Então qual é a utilidade de uma divindade que surge e desaparece? Se ele é um Deus real, ele deve estar contigo o tempo todo“, retorquiu o mestre.
Hariwansh retornou para Madras para começar seu trabalho novo. Ele intensificou sua prática de repetir o nome de krishna, coordenando-a com sua respiração, até que chegou em um estágio em que repetia o mantra de Krishna 50.000 vezes todos os idas. Então, de uma forma surpreendente, os deuses RamSita e Lakshman apareceu na sua frente em sua casa em Madras, e ali passaram durante toda a noite, enquanto Hariwansh passou atirado a seus pés, em um estado em que perdera a noção de tempo. Depois que as divindades o deixaram, ele sentiu-se incapaz de continuar com a repetição dos mantras. Perplexo com esse novo desenvolvimento em sua prática decidiu retornar ao Ramanasramam para explicar seu predicado a Maharshi. Lá chegando, ele detalha o que ocorreu ao Guru, e Sri Ramana responde lhe dizendo que a sua prática foi como um trem que o levou ao seu destino. Assim Hariwansh descreve o encontro:
Sri Ramana disse: “O trem [de Madras a Tiruvannamalai] o trouxe até sua destinação. Você desceu dele porque não mais precisava do veículo. Ele já o trouxe ao local que você queria chegar… É isso que ocorreu com a sua prática. Seu japa [repetição do nome de Deus], suas leituras, sua meditação, trouxeram-lhe a sua destinação espiritual. Você não mais precisa delas. Você não as abandonou: as práticas o deixaram por si só, porque elas alcançaram seu propósito. Você chegou”.
Então ele me olhou atentamente. Eu conseguia sentir que todo o meu corpo e mente estavam sendo lavados com ondas de pureza. Eles estavam sendo purificados pelo seu olhar silencioso. Eu sentia ele olhando diretamente para o meu coração. Sob o efeito daquele olhar encantador sentir cada átomo do meu corpo sendo purificado. Era como se um novo corpo estivesse sendo criado para mim. Um processo de transformação estava ocorrendo – o velho corpo estava morrendo, átomo por átomo, e o novo corpo estava sendo criado no seu lugar. Então, repentinamente, eu entendi. Compreendi que este homem com quem havia falado era, na realidade, o meu verdadeiro Ser, aquilo que sempre fui. Ocorreu um súbito reconhecimento, na medida em que me tornei consciente do Eu Real. Eu uso a palavra “reconhecimento” propositadamente uma vez que eu sabia, assim que essa experiência me foi revelada, que este era o mesmo estado de paz e felicidade no qual eu tinha ficado absorto quando era um garoto em Lahore. O olhar silencioso de Maharshi restabeleceu em mim este estado original. O desejo de buscar um Deus externo desapareceu sob a luz do conhecimento do Eu Real, que o Maharshi me revelou. (…). Eu sabia que minha busca espiritual havia terminado.
Hariwansh voltou a Madras e retomou seu trabalho, visitando o Ramanasramam sempre que possível.
Em 1950, depois de Sri Ramana ter falecido, Hariwansh foi a Tiruvannamalai com a intenção de viver lá como um sadhu. Mas o destino tinha outros planos para ele. Após uma breve visita ao Sri Ramanasramam, ele viajou a Bangalore, onde lhe foi oferecido um trabalho como gerente de uma companhia de mineração. Ele o aceitou, principalmente para ter os recursos para sustentar sua família. Trabalhou em inúmeras minas em Karnataka e Goa até o ano de 1966, quando se aposentou.
Assim que abandonou seu emprego, Hariwansh começou a viajar por toda a Índia. Muito embora, nunca tenha anunciado a si mesmo como um mestre, ele sempre atraiu um pequeno número de devotos onde quer que fosse. Esses números gradualmente começaram a crescer. Entre 1970 e 1990 viajou extensamente, tanto dentro da Índia como fora, sendo a maioria das viagens feitas a pedido dos devotos que queriam vê-lo. Ele resistiu a todas as tentativas de fundarem um centro ou ashram em seu nome.
Embora tenha visitado praticamente todos os principais centros espirituais da Índia e muitos no Ocidente, ao ser questionado sobre quantos jnanis (seres Iluminados) Papaji havia encontrado, mencionava: “Ramana Maharshi, um sufi que havia encontrado em Madras, um Mahatma que havia encontrado na floresta entre tiruvannamalai e Bangalore, e Nisargadatta Maharaj“. David Godman, seu biógrafo oficial, refere que a “lista de iluminados” podia expandir ou diminuir de acordo com os “humores” do mestre, mas que nunca excedia a sete pessoas.
No final da década de 80, quando a debilidade física o preveniu de viajar sozinho, ele estabeleceu-se em Lucknow. Foi lá que ele permaneceu os últimos anos de sua vida, dando satsangs diários, e ocasionalmente viajando para breves visitas ao Ganga. Foi por volta de 1990 que ele recebeu o título de “Papaji”, significando “pai respeitado”. Faleceu em setembro de 1997.
[Bibliografia traduzida e interpretada a partir do texto da introdução do livro “The Fire of Freedom – Satsang with Papaji I, editado por David Godman].

Fonte: http://www.advaita.com.br/papaji/

http://advaita-nao-dualidade.blogspot.com/2010/05/biografia.html

O NÃO-CAMINHO É O ÚNICO CAMINHO – PAPAJI

“Eu confio que vocês todos são leões.
Toda ignorância começou com os pastores.
Pastores são para ovelhas.
Eu confio que vocês são leões. Leões não são para serem arrebanhados; aonde eles andam é sua própria trilha.
Não há rebanho de leões; há somente rebanho de ovelhas. Vocês são todos leões – então vá pelo seu caminho.
Não andem em caminhos batidos feito ovelhas; um após o outro.
Não sigam nenhum caminho.
Leões, não seguem um ao outro como as ovelhas.
A maioria das pessoas são ovelhas, seguem pastores pelo mundo todo.
A religião começou com pastores e as pessoas os seguem como ovelhas.
Mas aonde vocês forem serão leões, e não há caminhos para leões.
Onde o leão andar, é o caminho.
Para o leão o não-caminho, é o único caminho.
Então não se coloque no meio de ovelhas precisando de um pastor.
O seu caminho é o não-caminho – isso é saber quem você é.
Isto é não seguir como uma ovelha. Este é um novo caminho, decididamente desconhecido. Uma vez conhecido, isto é bem conhecido.
Aquele que sabe completou o propósito do esforço de toda vida humana.
Ele é feliz e em paz.
 Ele aproveita ambos: aqui e depois.
Por favor, não se torne uma ovelha.
Não siga ninguém.
Não olhe aqui e ali.
Não olhe para nenhum lugar.
Pare de procurar. Pare toda sua imaginação pelo futuro e conceitualização do passado.
Mantenha seu ser neste momento, que é um não-momento.
Descubra de onde esse momento vem, de onde o tempo vem, de onde o pensamento surge, e você verá que você sempre esteve em casa.
Você não precisa de mais nada!”
Papaji em Satsang
http://ventosdepaz.blogspot.com/2015/12/o-nao-caminho-e-o-unico-caminho-papaji.html

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