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Caixa de Pandora: como a curiosidade arruinou a humanidade

Faz parte da curiosidade humana querer saber como e porque as coisas acontecem no mundo da maneira que elas ocorrem.

Muitos mitos, em diferentes culturas, tentam explicar os primórdios dos seres humanos e porque há coisas más como doenças, ódio e guerras no mundo. Em vários deles, esses males são liberados porque os humanos desobedeceram aos deuses, como no mito de Pandora, que nos mostra como a curiosidade, que nos incentiva a aprender e a explorar, também pode nos trazer resultados negativos.

O surgimento dos mortais

Criação do homem
A criação do homem e dos animais

O mito da Caixa de Pandora começa com a história de Zeus, Prometeu e Epimeteu, em uma época onde não existiam mortais, apenas deuses e titãs.

Prometeu e seu irmão Epimeteu eram titãs, que juraram lealdade à Zeus e aos deuses olímpicos e ficaram ao seu lado durante a guerra entre os titãs. Como recompensa por sua lealdade, Zeus deixou que Prometeu e Epimeteu criassem as primeiras criaturas para viver na Terra. Epimeteu criou os animais e deu a cada um uma habilidade especial e uma forma de proteção.

Prometeu demorou mais tempo, moldando o homem do barro e da água, e quando ele terminou já não havia sobrado nenhuma proteção para dar ao homem, pois seu irmão havia usado todas. Mas Prometeu sabia que o homem precisava de algo para se proteger e perguntou à Zeus se ele poderia deixar o homem utilizar o fogo.

Zeus negou seu pedido, dizendo que o fogo pertencia apenas aos deuses. Porém Prometeu, convencido de sua ideia, roubou o fogo dos deuses e entregou aos homens.

Pandora: a primeira das mulheres

Prometeu foi punido pelos seus atos sendo amarrado em uma montanha, onde todos os dias uma águia comia seu fígado, que crescia novamente durante a noite. Mas Prometeu não foi o único a ser punido. Zeus acreditava que os humanos também tinham culpa por aceitarem o dom do fogo de Prometeu, e, para punir o homem, Zeus criou a primeira mulher, que foi chamada de Pandora.

Ela foi moldada para se parecer com a bela deusa Afrodite, e recebeu diversos dons de todos os deuses, como a sabedoria, beleza, bondade, paz, generosidade e saúde.

Pandora e Epimeteu
Pandora foi entregue para ser esposa de Epimeteu

Zeus então a enviou para a Terra para ser esposa de Epimeteu, e embora Prometeu o tivesse alertado para nunca aceitar presentes dos deuses, o titã ficou encantado com a beleza da mulher e quis se casar com ela de qualquer maneira.

Caixa de Pandora: a maldição dos deuses

Pandora e a caixa
Pandora abrindo a caixa

Como presente de casamento, Zeus deu uma caixa para Pandora, mas advertiu que ela nunca poderia abri-la. Pandora, que foi criada para ser curiosa, não pode ficar longe da caixa, e depois de muito resistir, sucumbiu ao desejo de abrir o presente.

Nesse momento, coisas horríveis saíram da caixa, incluindo a ganância, inveja, ódio, dor, doença, fome, pobreza, guerra e a morte.

Quando Pandora viu o que havia feito, rapidamente ela fechou a caixa, deixando apenas uma coisa dentro. Pandora então escutou uma voz chamando-a da caixa, suplicando que fosse solta. Epimeteu concordou que nada que estivesse dentro da caixa poderia ser pior do que os horrores que já haviam sido liberados, então eles a abriram mais uma vez.

Tudo o que restava na caixa era a esperança, que voou da caixa, tocando as feridas criadas pelos males e curando-as. Embora Pandora tenha liberado dor e sofrimento no mundo, ela também permitiu que a esperança surgisse na humanidade.

Porém, esse mito tem muitas versões, e em uma delas Pandora não teria aberto novamente a caixa, e por isso a esperança permanece até hoje guardada.

Por que havia Esperança na Caixa de Pandora?

Muito se questiona sobre a presença da Esperança junto aos males, na Caixa de Pandora. Na maioria das vezes ela é interpretada por um lado positivo, pois nossa Esperança estará sempre guardada conosco, nos impedindo de desistir. Daí surge o famoso ditado que diz que “a esperança é a última que morre”.

Porém, Nietzsche trouxe uma nova interpretação ao mito, onde a Esperança também seria uma forma de punição dos deuses, pois assim, por mais torturados que eles fossem, eles teriam esperança de que iria melhor e assim continuariam a se deixar torturar.

O que esse mito nos conta

A história da Caixa de Pandora é um mito de origem, ou seja, a tentativa de explicar o início de algo. Os antigos gregos usaram esse mito não apenas para alertar sobre as fraquezas do homem, mas também para explicar as coisas terríveis que acontecem à humanidade, como a doença e a guerra.

O mito de Pandora nos conta que o homem vivia em um mundo sem preocupação, e os males foram causados por causa da desobediência humana sobre as instruções de Deus. Essa história se repete em diversas outras culturas, como em Adão e Eva, onde Eva ao desrespeitar as regras de Deus e comer a maçã, fez com que os homens fossem expulsos do paraíso.

 

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Estado de Buda

O Estado de Buda (Butsu) constitui-se numa condição de vida em que lhe permite compreender a verdadeira essência de sua própria vida, a infinita benevolência que dirige suas atividades, completa e constantemente , para objetivos altruístas, um “eu eterno e perfeito e a total pureza da vida à qual nada pode corromper. O Estado de Buda é uma condição ideal que uma pessoa pode atingir , através de suas atividades altruístas (de Bodhisattva).

É importante salientar que, como nenhuma condição de vida é estática, não se deve pensar que o Estado de Buda ou iluminação seja o objetivo final a ser atingido; é a condição experimentada no decurso de suas contínuas atividades altruísticas diárias. Em outras palavras, o Estado de Buda surge, em termos de vida diária, como ações de Bodhisattva, isto é atividades altruísticas, como por exemplo a prática de Chakubuku.
O Buda não é nenhum ser imaginário, da mesma forma a condição de Buda é uma condição real que reside nas profundezas da vida humana. Isto foi o que Sakyamuni propagou na Índia a cerca de 3000 mil anos atrás.
Conforme Ryuju declara em seu “Daitido Ron”: “O Buda é o supremo entre todos os seres”. Aqui, “Todos os seres” significa a vida em si, e “Buda” a iluminação ou a mais pura e a mais poderosa energia vital.
Nitikan Shonin afirma em seu “Sanju Hilden Sho”: “O Estado de Buda representa Sakyamuni e Taho”. Um Gosho esclarece que Sakyamuni, nesta passagem, significa a natureza de Buda dentro do indivíduo, ou seja, a sabedoria subjetiva (Ti) que compreende a iluminação, e que “Taho” indica a natureza de Buda existente no Universo, ou seja, a verdade ou mundo objetivo ou Lei (Kyo) ao qual as pessoas são iluminadas.
O segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, compreendeu a verdade da existência do Buda de que esta é “ a própria vida e também as expressões da vida e também as expressões da vida humana.
O Buda existe dentro de cada indivíduo e fora dele também, como a essência fundamental do universo.” Isto ele compreendeu enquanto esteve aprisionado numa cela solitária durante a Segunda Guerra Mundial.
Sakyamuni explicou que o Buda é um ser sublime que é dotado com os “dez honoráveis títulos”, que aparecem no décimo segundo volume do “Juju Bibasha Ron” e que podem ser considerados como uma descrição do poder, da sabedoria, da virtude, da habilidade e benevolência próprios do Estado de Buda. Resumidamente essas dez virtudes são:
1. Nyorai ou o Buda: aquele que compreende a realidade última da vida que rege todos os fenômenos do universo. O Buda incorpora a verdade fundamental de todos os fenômenos e compreende a lei da causalidade permeando o passado, o presente e o futuro;
2. Ogu ou aquele que é digno de receber oferecimentos: Um Buda está qualificado para receber os oferecimentos das pessoas, pois é digno de admiração, louvor devido ao seu nobre comportamento;
3. Shohenti “conhecimento correto e universal”: Aquele que obtém uma compreensão total da Verdadeira Lei e que possui a perfeita sabedoria para conduzir outras pessoas a atingirem o mesmo supremo estado. Assim, o Buda é dotado de sabedoria ampla e perfeita, e compreende todos os fenômenos correta e equitativamente.
4. Myogyosoku “ conduta e claridade perfeitas”: Aquele que possui a sabedoria que abarca a eternidade da vida – passado, presente e futuro – e age espontaneamente para o bem dos seus semelhantes;
5. Zenzei “ livre das ilusões “: Aquele que controla todos os desejos pessoais com sua suprema e ilimitada sabedoria e atinge o Estado de Buda;
6. Sekengue “Compreensão do mundo”: Aquele que abrange e entende todos os assuntos seculares e religiosos, ou seja, todas as esferas da atividade humana através da luz da sabedoria;
7. Mujoshi “O insuperável: Aquele que não é ultrapassado por ninguém. Um Buda permanece supremo entre todos os seres vivos;
8. Jogojobu “Líder do povo”: Aquele que possui o poder de harmonizar as pessoas e conduzi-las em direção à felicidade. O Buda ensina e lidera todas as pessoas para a iluminação;
9. Tenninshi “Mestre dos homens e dos deuses”: o Buda é o verdadeiro Mestre que atinge os corações de todas as pessoas, independente da posição social;
10. Butsu-seson “Buda, o augusto”: O Buda é um iluminado, dotado da perfeita virtude e sabedoria, aquele que conquista o respeito e aprovação de todos através do seu comportamento. É também aquele que possui o poderoso poder de salvar todos através de sua profunda benevolência.
Estas dez categorias e respectivas explicações variam um pouco de acordo com as diferentes escrituras budistas. A primeira vista pode parecer impossível que uma pessoa possa possuir mesmo uma delas.O Budismo de Sakyamuni pregava as várias formas de austeridades a fim de que uma pessoa pudesse atingir o Estado de Buda, porém o Budismo de Nichiren Daishonin ensina que a natureza de Buda é uma capacidade inerente de todos os seres humanos, e que qualquer pessoa, como resultado de sua sincera prática, pode manifestar o supremo estado de vida.
Nichiren Daishonin declara em o “O Verdadeiro Objeto de Adoração”: “O Estado de Buda é mais difícil de demonstrar, mas desde que os outros nove mundos na realidade existem como estados de vida humana, o senhor deve ter fé de que o Estado de Buda também existe dentro de sua vida.” O Buda afirma nessa passagem que o supremo estado de vida pode somente ser atingido se a pessoa tomar fé no Gohonzon, o supremo objeto de adoração, que incorpora a vida do Buda e a Lei Mística, Nam-Myoho-renge-kyo.
Quanto a essa passagem do Gosho “O Verdadeiro Objeto de Adoração” e sobre as dez virtudes ou dez honoráveis títulos, o Presidente Ikeda enfatiza na obra “Diálogo sobre a Vida”: “Expressar a totalidade do Estado de Buda é extremamente difícil; portanto, do fato de que os outros nove mundos na realidade existem dentro de nossas vidas, Nitiren Daishonin deseja que acreditemos na existência da natureza do Buda. Pensemos um pouco a respeito dos dez “Dez honoráveis títulos” do Buda como um guia na compreensão do Estado de Buda. O que é Estado de Buda? Este é o assunto principal e o propósito último da nossa discussão sobre a filosofia de vida….. Os dez honoráveis títulos do Buda podem ser assumidos como o grande poder, sabedoria, virtude, compaixão e competência peculiar à natureza do Buda. Antes de tudo, diz-se que um Buda é um “Kakusha” ou “O Iluminado,” cuja sabedoria é suficientemente grande para compreender e dominar os princípios fundamentais do universo e da vida deste. “ Nyorai,” um outro nome dado ao Buda, significa compreender que todas as atividades de momento a momento da energia vital do Buda estão em fusão com a energia vital cósmica. Isto significa iluminação para a eternidade da vida….. Uma pessoa que tenha desenvolvido a natureza de Buda, à primeira vista é um homem comum com bom senso. Ele é integral, tem um forte senso de responsabilidade, uma firme fé, uma atitude amigável em relação aos outros e a faculdade de um pensamento flexível. É também rica em compaixão, sabedoria e criatividade.
Em seu “Kanjin-noHonzon Sho” (O Verdadeiro Objeto de Adoração), Nitiren Daishonin afirma que Yao e Shun, famosos imperadores da China antiga, compreendiam seus povos igualmente e administraram os assuntos do estado de maneira excelente, e que isso foi devido à função parcial da natureza do Buda potencial inato dentro dos seres humanos. “Abraçar todos os tipos de pessoas sem o mínimo de preconceitos é um dos pré-requisitos de um Buda.”
Portanto, manifestar em nossas vidas o Estado de Buda requer um esforço constante, uma luta no caminho da benevolência para com as outras pessoas, transformando ao mesmo tempo as fraquezas e falhas de nossas vidas para evidenciar a sabedoria, compaixão e espontaneidade. Essa é a conclusão que podemos chegar, a iluminação é uma condição acessível a todos, que pode se manifestar em nosso própio dia a dia, desde que a pessoa conduza corretamente sua prática budista de Shin-Gyo-Gaku, ou seja, fé, prática e estudo.A manifestação dessa elevada condição de vida de uma pessoa no dia a dia traz grandes benefícios ao seu mundo exterior, de acordo com o princípio de unicidade da pessoa e seu ambiente (Esho Funi), ou seja, a existência de uma relação recíproca entre a vida do ser humano e seu ambiente.
Esse princípio pode ser expresso na frase do Gosho “Sobre atingir o Estado de Buda”: “De acordo com o sutra, se a mente das pessoas é impura, sua terra também será impura. Pelo contrário, se suas mentes são puras, assim será a sua terra. Em uma palavra, não há duas terras pura e impura ao mesmo tempo. A diferença está na mente, boa ou má, das pessoas”.
Atualmente, o rápido progresso da civilização trouxe várias melhorias em nosso modo de vida. Ao mesmo tempo, essa sociedade afluente parece despojar os seres humanos de seus ideais, emoções e humanidade. Os desejos materiais conduzem as pessoas à confrontações, desumanização e alienação. Um dos exemplos claros desses sentimentos que imperam, são as guerras. A guerra no período moderno tornou-se extremamente cruel, um ato bárbaro de assassinato em massa. O que o mundo mais precisa é de uma religião com o poder de garantir a todas as pessoas a verdadeira dignidade e independência na vida. Cada vida humana contém o supremo tesouro do Estado de Buda. NichirenDaishonin declara através do Gosho que mesmo a vida de uma simples pessoa é mais valiosa do que todos os tesouros do universo. O reconhecimento da dignidade da vida é um resultado natural da compreensão da teoria dos Dez Mundos.
A reforma total da vida de uma pessoa contribuirá para a mudança na sociedade, tornando a paz mundial uma realidade. Através da reforma de nossas própias vidas podemos abrir as portas para que outros possam construir igualmente uma fortaleza indestrutível de paz em seus corações. Uma grande mudança em cada pessoa afeta muitas outras pessoas, assim como uma onda pode criar milhões de outras ondas. Essa grandiosa transformação a qual chamamos de “Revolução Humana ” é a própia manifestação do Estado de Buda em nossas vidas.
Assim, pelo fato da paz e felicidade serem desejos comuns de todos, devemos transmitir o Budismo de Nichiren Daishonin ao maior número de pessoas possível e juntos avançarmos em direção ao século XXI, o Século da Vida.
Com a consciência e a certeza de que o Estado de Buda é uma realidade em nossas vidas tenhamos sempre em mente a seguinte frase de “Sobre Atingir o Estado de Buda”: “Não existe diferença entre um Buda e um mortal comum. Enquanto desnorteada pela ilusão, a pessoa é chamada mortal comum, mas, uma vez iluminada, é chamada de Buda.
Por exemplo, um espelho brilhará como uma jóia se for polido. Sua mente, agora desnorteada pela escuridão inata da vida, é como um espelho embaçado, mas, se o polir, é certo de que tornar-se-á claro claro como cristal de iluminação das verdades imutáveis.
Manifeste-se fortemente na prática da fé, polindo seu espelho incessantemente, dia e noite. Como deve poli-lo? Não há outro modo a não ser devotar-se à recitação do Nam-myoho-renge-kyo.” Portanto, como afirma esse Gosho, mesmo uma pessoa que se devota à prática do Budismo, mas se não acredita na existência do Estado de Buda dentro de sua vida, não pode escapar do sofrimento da vida e da morte. A iluminação evidencia-se somente nas pessoas que recitam o Daimoku e que tomaram consciência de que são entidades da Lei Mística.”
Fonte: T.C. nº 274 pág. 44 a 47 de 06/91 Seleção de texto:Doralice e Paulo Bruno. 13/06/97
http://www.budanaweb.com/2009/11/estado-de-buda.html